"Vivo da floresta, protejo ela de todo o jeito, por isso vivo com a bala na cabeça a qualquer hora, porque vou para cima, eu denuncio. Quando vejo uma árvore em cima do caminhão indo para uma serraria me dá uma dor. É como o cortejo fúnebre levando o ente mais querido que você tem, porque isso é vida para mim que vivo na floresta e para vocês também que vivem nos centros urbanos."

Zé Claudio, assassinado em maio de 2011.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

27 de novembro: DIA SEM COMPRAS

Sim! Eu sei, estou atrasada! O Dia Mundial Sem Compras - 27/11 - , foi na semana passada e eu não consegui fazer a postagem no dia certo. Mas como o Natal já está ai...me sinto a vontade para falar sobre o tema.

O Tulio Malaspina, do Blog Atitude Eco, sugeriu que fizessemos uma blogagem coletiva sobre a campanha, cada qual com um texto condizente ao perfil do blog.

Acredito que muitos de vocês caríssimos leitores já viram as postagens de outros blogs, que diferentemente de mim, postaram na ocasião apropriada.

Por aqui, durante a semana passada, a  postagem com o vídeo "A história das coisas" foi propositalmente publicada no dia 26, até o texto "A culpa é dos golfinhos" acaba flutuando pelo tema..."Somos praga no planeta?", fechou com chave de ouro todo o conceito. Tudo está ligado ao consumo! E principalmente ao sistema voraz que utilizamos para produzir descartáveis num nível colossal.

O que deveria determinar utilidade, praticidade e tecnologia se transforma numa cadeia produtiva, que leva quase o mesmo tempo para fabricar, quanto para  tornar obsoleto.

O boom das famosas lojas de 1,99...que oferecem de tudo, objetos variados, que quase instantaneamente viram lixo e vendem como água. As multinacionais que produzem alimentos industrializados as custas da degradação ambiental de paises subdesenvolvidos, que vendem matéria-prima a preço de banana.

O trabalho escravo, semi-escravo ou quase isso...

A inconsequente forma devastadora de retirar do planeta mais do que ele pode nos oferecer.

Sabe...eu consigo entender a visão dos homens de negócio, no topo da cadeia, que visam apenas dinheiro, dinheiro, dinheiro...estão já com vários anos nas costas...logo seu dinheiro não vai mais lhe valher nada, mas acreditam que o patrimônio "conquistado" salvará seus filhos das consequências do mal, que ajudaram a construir. Estão vivos agora, querem muito dinheiro agora. Não importa para eles o que vai acontecer com você ou com seus filhos, que ainda não ganharam seus milhões.

E que não vão ganhar, claro! Porque o plano deles não é dividir suas fortunas com os zés e marias ninguém deste planeta. O plano é continuar centralizando o dinheiro nas mesmas mãos, gafanhotas (sim, eu adoro este termo), nem um pouco afim de iniciar negócios sustentáveis, porque estes não se encaixam a forma como eles tratam o planeta. Se tudo mudar...eles não manterão suas fortunas. E o que importa é o dinheiro no banco, as costas quentes e o mundo girando ao redor deles.

E para que o plano deles dê certo...o governo garante uma escola muito inferior ao que poderíamos chamar de medíocre, hospitais miseráveis, insuficientes, desorganizados e corrompidos. Não liberta quem no campo é oprimido, não garante que na metrópole as chances sejam oferecidas igualmente.

E assim continuamos gerando empregos, no comércio, que exige muito e remunera pouco. Os comércios, atravessadores, que pagam de quem fabrica, para vender mais caro. O mínimo esforço é o que rege a nossa economia.

A campanha certamente quer mais que um dia sem consumo. Até porque, devemos ser práticos e não hipócritas. As campanhas visam a conscientização e através de um dia simbólico reforçam o que deve ser um hábito. Apagar as luzes no dia da "Hora do Planeta", mas desperdiçar energia todos os outros dias, ou não comprar nem uma bala no dia 27 de novembro, mas ser movido por impulsos consumistas no resto do ano são atos sem eficiência e coesão.

Então vamos pensar sobre o assunto.

Você trabalha de sol a sol, ganha seu dinheirinho suado, chega neste blog, lê todos os meus devaneios e pensa: Mas trabalho para garantir meu conforto, uma vida estável e tranquila.
Sim...eu apóio o trabalho honesto e não quero interfirir na forma como você pretende gastar a tua grana...

Mas vamos com calma! Devemos começar, e já passou da hora, na verdade, a repensar nossas prioridades: o que precisamos e o que é inútil, o que garante o conforto e o que extrapola o bom-senso.

Há uma linda frase que pode sintetizar todas as minhas palavras:
"Aquele que sabe o que é suficiente, terá sempre o suficiente."
Lao Tzé

E o suficiente não é ter menos do que você merece, mas sim saber viver com o que você precisa. Exceções existem e todos tem o direito de fazer uma loucura, passar dos limites. O que não pode acontecer é a exceção virar regra.
Você sabe o que é suficiente para você? Você sabe a linha tênue que separa você de um consumidor consciente para uma marionete do mercado?
 
Há alguns dias minha flha lançou uma frase de deixar qualquer mãe ecochata orgulhosa:
"Os brinquedos que a gente vê nos comerciais não são iguais aos que vêm nas caixas que a gente compra. Eles mentem!"
Contive meu discurso anticapitalista completamente inapropriado para uma criança, mas tive que concordar: "Sim, eles mentem e mentem muito...a gente é que não pode acreditar!"

Apesar da pouca idade e alheia ao nosso sistema de consumo, minha filha teve a clareza de perceber o que nós ignoramos, seguindo reféns do mercado, em nome da econômia.

Pagando caro por serviços medíocres como internet e telefone.
Consentindo a mentira da embalagem que não faz juz ao que vem dentro.
Baseados na moda para vestir, na moda para usar, na moda para mobiliar...na moda!

E quanta porcaria existe na moda. E como são feias as roupas da moda. E como elas privilegiam moças que apenas aparecem em comerciais de cerveja, mas que na vida real você nunca verá com um copo na mão.

Se você já sabe o que é suficiente para você...esta postagem será um tanto quanto desnecessária. Mas se você ainda é guiado pelo o que os outros estão usando, consumindo, vestindo, falando...tá na hora de reaprender a viver.

Se você não consegue controlar seu cartão de crédito, se passear no shopping é a sua maior satisfação. Se você não sabe a origem da sua comida, se é fruto de desmatamento, trabalho escravo, crueldades variadas, se o cosmético que você usa foi testado em animais, seus novos móveis de fazer inveja a Revista Caras não tem procedência legal, se você não consegue viver sem seus casacos de pele, como afirma a involuída Jennifer Lopez...O Dia sem Compras deve ser um início. O início de  uma longa reflexão interna  que te faça entender a diferença do SER para o TER!

Inabalável diferença que separa os homens dos porcos (e que os porcos me desculpem a comparação!)

Assim você poderá mensurar o que é verdade do que é ilusão!

A palavra pode soar bonita, mas FARTURA é muito mais do que o suficiente, fartura gera  desperdício e o desperdício não alimenta ninguém!


 Mais feliz aquele que já aprendeu a viver mais leve nessa vida!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

E toma mais essa...

Enquanto no Rio de Janeiro as comunidades ouvem os teóricos últimos disparos das balas que devem preceder a paz (será?) ...e o mundo permanece com os olhos voltados para a cidade maravilhosa...lá em Brasília a conversa é outra!

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou, em sua 100º reunião ordinária a regulamentação dos procedimentos de licenciamento ambiental de empreendimentos que afetem unidades de conservação (UCs) ou suas zonas de amortecimento.

E o que significa isso?

A resposta mais clara seria: perda da biodiversidade, mais áreas desprotegidas e mais áreas degradas. Simples assim.

Antes de mais nada é necessário explicar duas coisas:

Planos de manejo: resumidamente o Plano de Manejo é um documento que define a implementação, manutenção e uso de uma unidade de conservação, com a finalidade clara de garantir o futuro destas unidades.

Zonas de amortecimento: é o entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas são restritas e devem seguir certas normas. Para também garantir a preservação da UC.

Em teoria tudo é sempre bonito. Mas na prática a nova resolução determinou que zonas de amortecimento, em UCs sem planos de manejo, serão reduzidas para 3 mil metros (não mais 10 mil metros, como era anteriormente) e isso apenas nos casos em que os empreendimentos sejam considerados de significativo impacto ambiental, após EIA/RIMA serem concluídos.

Quando o empreendimento não necessitar de EIA/RIMA a zona de amortecimento, em UCs também sem plano de manejo passa a ser de 2 mil metros.

Os orgãos federais, estaduais e municipais que administram essas unidades têm o prazo de 5 anos para apresentarem seus planos de manejo. Depois disso: é tudo deles. UCs sem plano de manejo simplesmente NÃO POSSUIRÃO zona de amortecimento!


Foto: Rodrigo Baleia - Greenpeace

Na vida real funciona assim: esta é uma foto da Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, uma unidade de conservação. Com ou sem resolução é assim que as coisas acontecem por lá!



Quem serão os maiores privilegiados com esta história?
Se quiser dar nome aos bois..."o comentário" é todo seu!

Sério mesmo que alguém ainda espera alguma coisa da COP 16?


Leia mais: O Eco

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Prêmio Dardos

O blog Evolução Sustentável foi indicado pelos blogs Minha Casa Meu Mundo de Liete Alves, Diário do Verde de Antonio Gabriel Cerqueira Gonçalves  e A hora do Planeta é a sua hora da Thais, para receber o selo Prêmio Dardos.


Receber o prémio implica aceitar as suas regras, que neste caso são:
1 - Exibir a imagem do selo no blogue;
2 - Revelar o link do blogue que atribuiu o prémio;
3 - Escolher 10, 15 ou 30 blogues para premiar.

Os selos são uma forma de unir e aproximar os blogueiros (ambientais, no nosso caso), além de reconhecerem nosso árduo, voluntário e prazeroso trabalho...
Agradeço e faço as minhas indicações. Seguem por ordem alfabética:

Autossustentável - do Leonardo Borges.
Sempre indicando soluções e alternativas para tornar o dia-a-dia mais sustentável

Blog da Marília - da bióloga Marília Rebelo
Artigos que abrangem a biologia e se estendem pela defesa dos animais

Consciência com Ciência - da bióloga Daniela
O blog apresenta postagens de grande qualidade científica, mas feitas para leitores leigos entenderem. O que nos aproxima da biologia. A autora também aborda  vários outros aspectos ambientais.

Cantinho Vegetariano - de Elaine Martin
Uma ótima opção para vegetarianos, mas principalmente para quem deseja abandonar o consumo da carne e ainda não conhece receitas alternativas para comer bem, sem precisar de cadáveres no prato. Apesar de ser um blog sobre culinária, não podemos negar que o vegetarianismo é uma opção além de sustentável, bem mais humana.

Horizonte de jafa - da Janaína Forteza
O blog dela não é especificamente ambiental, mas ela é uma ambientalista naturalmente, o que faz com que a maioria das postagens esteja ligada ao tema. Os textos são de muita qualidade e ela também enfatiza o bem estar dos animais.

Afinal a vida deveria ser respeitada, em todas as suas formas.

Além do blog estar recheado de informações ligadas a preservação ou insustentabilidade do planeta. O espaço virtual, nada mais é que a continuação de um lindo trabalho feito na vida real. A ong organiza eventos periódicos de ecofaxinas em paraísos naturais acometidos pelo lixo.

Metano Verde - de Paulo Athayde
Notícias variadas sobre meio ambiente.

Mimirabolantes - de  Monique Futscher
Acho que todos conhecem a Monique, atuante, generosa e parceira verde, que dá dicas variadas de quem realmente põe a mão na massa pra ajudar o planeta.

Sustentável Mundo Novo - da jornalista Carmen Nascimento
É despretencioso e funcional. Notícias, indicações e alertas sobre os temas ambientais.

Virou Problema -  de Ana Luíza
Este blog é o mais especial da lista, já que sua idealizadora é uma garotinha de apenas 10 anos, que deixa claro que sua pouca idade não é um obstacúlo para ela fazer do planeta um lugar aonde, definitivamente, prefere viver.

São crianças como ela que eu quero ver neste mundo.

Estes são meus indicados, uma pequena lista dos muitos blogs que gosto, sigo e acompanho. De pessoas que através de suas palavras, idéias e ações fazem gerar mudanças...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Guarujá: terra de ninguém

Na madrugada de hoje...foi assassinado mais um vereador da cidade do Guarujá. O fato não é isolado. Desde de 1997 já foram assassinados CINCO vereadores  no Guarujá e nenhuma destas mortes foi esclarecida, nem nenhum dos assassinos punidos.

O blog segue a temática ambiental, mas sempre se estenderá por assuntos políticos, principalmente os que envolvem toda a politicagem destes governantes, que deveriam olhar por nós, não por seus escusos interesses, que justificam ações criminosas e homicídios.

Luis Carlos Romazzini (PT), de 45 anos, já havia registrado um boletim de ocorrência sobre as ameaças de morte que estava sofrendo. Mesmo assim nada foi feito! Na noite anterior ao crime, a casa do vereador já havia sido invadida.

Desde 2006, o vereador já vinha sofrendo ameaças de morte. Em certa ocasião, seu automóvel foi cercado por homens encapuzados de moto, que abordaram o motorista. Assim que perecebram que não se tratava do vereador fugiram, sem qualquer justificativa.

O vereador Luís Carlos Romazzini atuava incansavelmente, numa oposição que denunciava os crimes da Câmara, como o caso do mensalinho, onde eram cobradas comissões para aprovação de projetos e recentemente colocou em pauta o descaso da Prefeitura com ambulâncias que padecem sem utilidade em estacionamentos. Enquanto os serviços de saúde, assim como todos os outros na cidade do Guarujá, são precários e ineficientes.

Até quando vamos assistir de camarote a esses assassinatos? Os poucos homens sérios na política sendo massacrados por coronéis sem escrúpulos, marginais homicidas, que não mensuram barreiras para atingir seus objetivos ilícitos.

Quantos Romazzinis, Celsos e até irmãs (Dorothy) vão pagar com suas vidas por serem cidadãos decentes?



Notícia na íntegra: Jornal Tribuna

Somos praga no planeta?

Mais um genial texto de Maurício Gomide Martins. Já havia postado aqui um texto de sua autoria  (Excesso Populacional), sem lhe dar os devidos créditos.

Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

O livro "Agora ou Nunca Mais", está disponível para acesso integral, gratuito e no formato PDF, clicando aqui.

Ainda assim, o autor teve humildade e tempo suficientes, para responder, rapidamente, ao e-mail que lhe enviei, pedindo autorização para postar seu texto por aqui. E certamente, muitos textos dele, ainda ocuparão este espaço. Segue:


Somos praga no planeta?

Praga tem diversas acepções, mas a definição objeto de nossas considerações é simplesmente a que se refere à quantidade excessiva de um fator num sistema, desqualificando o próprio sistema. Em outras palavras: presença em quantidade superior à que um sistema coeso consegue suportar. Essa situação só pode ocasionar o desequilíbrio entre as forças de qualquer ambiente, causando o desarranjo harmônico entre as partes e, consequentemente, o caos.

Sobre esse princípio são construídas as principais máquinas destrutivas para a guerra. Um exemplo simples é o da granada. Contido em espaço restrito, numa situação de estabilidade, basta o conteúdo ser transformado em gás para que ele cumpra sua missão química de expansão, causando a desordem pontual e suas calamitosas conseqüências. O poder destrutivo da granada se deve à extrema rapidez – praticamente instantânea – da ocorrência das fases do processo.

No campo biológico, ocorre o mesmo roteiro apontado acima, só que em tempo muito mais lento. O dano, no entanto, pode ser considerado equivalente.

Quando um agricultor verifica que apareceram insetos sugadores (digamos, o percevejo verde) em sua lavoura de soja, contrata um agrônomo para cuidar do problema. O profissional comparece ao campo de plantio e faz uma análise da situação. Colhe uma amostra estratificada e faz seu ajuizamento, no qual pondera diversas circunstâncias: tamanho e estágio vegetativo da lavoura, índice da incidência dos insetos, cálculos sobre capacidade de produção, custos diversos, etc. Após ponderar os dados obtidos, formará um juízo técnico para a ocasião.

Poderá dizer ao agricultor que nada deve ser feito no combate aos insetos no momento. Acrescentará, naturalmente, que a invasão ainda não constitui uma ameaça à lucratividade da colheita estimada. Seu veredito vale para aquela visita, em função do aspecto econômico. Suas análises semanais posteriores guiarão as conclusões parciais ou definitivas.

Enquanto o agrônomo trabalha, os hóspedes indesejados, inocentes e alheios a tudo, continuam no seu labor natural de vida. Estão ali, num campo farto de alimento e cumprem o objetivo natural da reprodução. O instinto não lhes informa nem eles são capazes de medir as conseqüências do crescimento populacional. Prosseguem o roteiro natural, em obediência ao imperativo genético. Não sabem que, ao atingirem certo índice de infestação, o agrônomo decretará a mudança do seu nome: de percevejo para praga, nome genérico terrível que iguala todos os seres que se atrevam a serem protagonistas do desequilíbrio ambiental.

A reação será violenta. É uma situação extrema de luta de vida ou morte. Nessa qualificação de praga, a decisão do profissional não mais será a de tolerância, mas a de combate mortal com uso de todo o arsenal disponível, inclusive o químico. Assim, a tragédia da mortandade naquele ambiente agrícola será irreversível. Os agrotóxicos varrerão da vida todos os habitantes da cultura, inclusive os inocentes insetos benéficos que ali estavam tentando manter o equilíbrio biológico.

Se tal lavoura fosse deixada ao seu próprio destino, sem assistência do profissional, o prejuízo para o lavrador seria total. Como fonte alimentícia para o percevejo, tenderia ao esgotamento total, levando à inanição e morte toda a comunidade hospedeira. As disponibilidades ambientais se extinguiriam e a situação mudaria para um estado caótico em que a tragédia não pouparia ninguém e somente a Natureza saberia como estabilizar.

O animal humano, que se faz representar em todo o globo por sua população de quase 7 bilhões de indivíduos, com sua visão egoística e interferindo na dinâmica ecológica da terra, dos rios, dos mares, da atmosfera, provoca os mesmos danos que o percevejo da soja. A diferença é que, no exemplo citado, fizemos um enfoque no trabalho de um agricultor mantendo um objetivo produtivo. Já no enfoque da situação real por que passa o planeta em seus recursos, a fome dos humanos é contínua e geometricamente cumulativa: fome alimentícia; fome de lucro; fome de comodismo; fome de grandeza; fome de supérfluos; fome de entesouramento. Segundo os cálculos atualizados, as ações humanas retiram do planeta 40% a mais do que ele consegue disponibilizar pela dinâmica natural.

Há, portanto, uma queima de capital, um déficit de recursos, uma desproporcionalidade, um desequilíbrio ambiental gravíssimo. Estamos gastando o futuro para o qual nossos descendentes nascerão munidos da vã esperança de viver em ambiente sustentável.

Alguns animais demonstram possuir um instinto muito mais eficiente que a inteligência humana. Ante a visão crítica de uma superpopulação, certos animais procedem de modo inteiramente racional. O lemingue do norte-europeu resolve o problema com o suicídio em massa. As abelhas excedentes de uma colméia abandonam o lar numa revoada incerta, procurando formar nova colônia. As lulas entram em coma pré-morte sobre seus próprios ovos, numa fantástica demonstração de renúncia à vida-elo em beneficio à vida-corrente.

Não estamos recomendando suicídio a ninguém, mas sugerimos que o animal humano tem a capacidade mental de equacionar e solucionar seus problemas existenciais. Ainda há um tempo curtíssimo, mas alertamos que aos poucos ele se esvai, e a solução se tornará impossível.

Considerada a pegada ecológica, a população mundial equivale, no mínimo, a 100 vezes seu número nominal. Por isso, mudamos de nome. Não somos mais o animal racional, o rei dos seres vivos, o centro do universo; somos simplesmente praga. Deixamos de ser animais racionais para sermos predadores da própria mãe Terra, aquela que nos fornece, com amor e ternura, abrigo, alimento, vida.

Dois fatores incisivos nos levam a essa situação trágica: o antropocentrismo e a ganância. Nós nos esquecemos que o ecossistema inclui a biodiversidade e que nossa individualidade é transitória. Nós, como animal humano, não somos indivíduos, somos a humanidade, parte do todo planetário.

Nessa situação, só nos resta aguardar que um agrônomo celestial venha salvar a Vida planetária, tirando-nossa existência e toda a riqueza material que, paradoxalmente, teimamos em acumular.

Somos praga no planeta. Não aceitamos esse nome, pois o egocentrismo de espécie cega nossa razão. Contudo, essa cegueira não impede que sejamos praga e, nessa qualidade, já selamos nosso destino.


Minha maior recompensa com este blog, certamente é descobrir, cada vez mais, textos incríveis, escritores fantásticos e principalmente seres-humanos atuantes e engajados, escondidos pelas palavras...

É inexplicavelmente reconfortante e acolhedor poder ler algo que traduza tão perfeitamente nossas próprias teorias e concepções. Nossos valores e princípios. A nossa verdade!


Qualquer criatura do Universo, que tiver essa (ou semelhante) visão  do nosso planeta...concluirá que ele está morrendo aos poucos, vitimado por uma praga...composta por 7 bilhões de indivíduos.
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