"Vivo da floresta, protejo ela de todo o jeito, por isso vivo com a bala na cabeça a qualquer hora, porque vou para cima, eu denuncio. Quando vejo uma árvore em cima do caminhão indo para uma serraria me dá uma dor. É como o cortejo fúnebre levando o ente mais querido que você tem, porque isso é vida para mim que vivo na floresta e para vocês também que vivem nos centros urbanos."

Zé Claudio, assassinado em maio de 2011.



sábado, 30 de janeiro de 2010

Sociedade do Sol

A Sociedade do Sol é uma organização, sediada no CIETEC (Centro Incubador de Empresas Tecnológicas no campus da USP/IPEN) que desde 1999 desenvolve ASBC (aquecedor solar de baixo custo), projeto gratuito de um aquecedor solar de água, de 200 a 1.000 litros, destinado a substituir parcialmente a energia elétrica consumida.

No site da organização há um manual do usuário para a construção do ASBC disponível para os interessados em "fabricar" seu próprio aquecedor solar, além da divulgação de outros projetos do grupo, que incluem reuso da água da chuva, forno solar, aquecedores para escolas, entre outros.

 O site também oferece cursos, cadastra monitores e voluntários e está repleto de informações e dicas interessantes. Vale muito a pena visitar e quem sabe sair do computador e construir o seu próprio aquecedor solar.

Veja também:
Green Noise - energia gerada a partir de barulho
Brasil e energia eólica

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Green Noise: energia gerada a partir de barulho

Parece loucura, mas é realidade. O japonês Hung-Uei Jou revolucionou o mercado de energia limpa inventando o Green Noise que através do barulho gera energia elétrica. No mínimo: sensacional!


Entre as várias aplicações lógicas, a idéia é de utilizá-lo em aeroportos. Os ruídos produzidos por aviões são captados e convertidos em energia elétrica dentro do próprio aparelho e através dele, esta energia pode ser direcionada para qualquer fim. É possível ainda, visualizar a quantidade de ruído capturado e a energia convertida no visor do Green Noise.

O aparelho ainda não está à venda, mas comprova eficientemente, minha teoria sobre tecnologia aliada ao meio ambiente. Podemos perceber o quão fácil seria viver num planeta cuja conversão de energia seria simples e muitas vezes óbvia, sem a necessidade de utilizar orçamentos bilionários. Querendo, a gente chega longe!

OBS.: Idéias para utilização do Green Noise que eu apoiei: em shows e baladas. E eu ainda sugiro eventos esportivos e até shopping centers. Será que é possível???

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Vida Sustentável X Concrete Jungle

Assistindo ao Globo Repórter, sexta-feira passada, que mostrou a vida da populaçao ribeirinha das reservas de Mamirauá e Amanã, na Floresta Amazônica tive a oportunidade de conhecer uma comunidade, que diferentemente da avassaladora maioria dos brasileiros, vive em plena harmonia com a natureza, respeitando as épocas de cheia e seca do rio, o ciclo de vida dos peixes e os demais animais selvagens que habitam o lugar.

Uma sintonia perfeita. Pontes improvisadas garantem a locomoção das pessoas nas épocas de cheia, as crianças vão para escola de canoa e mesmo com tanta água, a qualidade dela não é boa, mas orientados pela equipe da Reserva de Mamirauá calhas instaladas nas casas levam a água da chuva para um reservatório, o que garante água potável pelo ano todo. Mais sustentável impossível.

 É claro que a vida deles não é fácil, ainda mais se comparada com a vida urbana que levamos, repleta de confortos e futilidades. O cotidiano dessas pessoas parece surreal para o modelo de vida que adotamos nas capitais. Eles têm privações que a grande maioria das pessoas nem sequer consegue imaginar e ainda assim vivem muito bem por lá.

 E o que podemos concluir com tudo isso? Por mais que vivamos rodeados por facilidades, serviços terceirizados, comodidades, tudo ao alcance das mãos, ainda assim não estamos insentos de também viver alagados, mas diferentemente do povo de lá, aqui a cada chuva, tudo pára, ficamos ilhados, perdemos tudo o que temos e também o que não temos, ficamos incomunicáveis, sem eira, nem beira e as coisas podem, e devem, piorar ainda mais, bem mais.

Esse sistema inventado para o consumo, essa idéia ilusória de evolução é tão frágil, com uma, duas ou tantas tragédias naturais podemos ficar a mercê da sorte. Não adianta ser o seu celular de última geração, nem seu carro 0 km; governos ficarão inertes e cada um, certamente, vai libertar seus instintos de bicho numa busca alucinante pela sobrevivência, simplesmente pelo fato de não conseguirmos ser nada, sem o que chamamos de sociedade organizada.

 Mas para onde essa organização está nos levando? Moramos em casas e prédios construídos em áreas de pântano, mangue, nas margens dos rios, encostas, orlas de praias, concretamos tudo o que nos está próximo e achamos que estaríamos livres do caos que obras irresponsáveis como essas irião gerar. Não respeitamos os ciclos da natureza e ficamos a esperar por um milagre, de que a natureza se modificaria porque somos nós os donos do mundo.

Mas a natureza não escolhe suas vítimas, caem árvores, morrem animais e o ser-humano é liquidado exatamente como qualquer outro verme do planeta. Ou mudamos ou morremos. Não há outra escolha! Já que nunca foi levado em conta o respeito e a consideração que deveríamos ter com toda a natureza e com todos os animais habitantes do planeta, agora precisamos mudar, simplesmente para sobreviver...

E enquanto construtores de todo o Brasil aumentam desenfreadamente suas riquezas, enquanto o governo libera licenças para termoelétricas, hidrelétricas, enquanto capitalistas selvagens exibem rótulos de empresas verdes, são pessoas que vivem da única forma sustentável, como essas populações ribeirinhas que terão que migrar, começar tudo de novo em outro lugar, para que mais uma hidrelétrica seja construída...para que eu, você e todo o resto do Brasil possamos assistir a mais televisão e ver de perto o mundo acabando para os outros, tomar mais banhos quentes e mais demorados,usar ainda mais o microondas, perder mais tempo no orkut acessando a internet, continuar assim...desse mesmo jeito insustentável!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Tecnologia e Meio Ambiente

Quando pensamos em sustentabilidade e meio ambiente associamos a idéia de uma forma mais rústica, de se viver com pouco, reutilizar desde a água da chuva até as inevitáveis embalagens de consumo, comprar menos, prefirir alimentos não-industrializados e assim por diante. E a tecnologia parece não combinar muito bem com esse estilo de vida mais sustentável. Verdade?

Não, pelo menos para mim não. Eu, "riponga" de alma, natureba na medida do possível, apaixonada pela natureza e pelos animais, ainda assim amo a tecnologia e tudo o que ela nos proporciona e poderia proporcionar ainda mais... Lembro-me de acreditar que os computadores iriam, sim, substituir livros e cadernos nas escolas e na vida em um tempo curto...mas fui crescendo, crescendo e isso ainda não aconteceu. Ainda, pois eu continuo a acreditar que algum dia árvores não mais precisarão morrer para que possamos nos entreter, informar e aprender.

Os erros, que a maioria das empresas centenárias cometeu, com o descarte irresponsável de resíduos, por exemplo, não precisa e nem deve ocorrer atualmente. Uma prova disso são empresas como Nextel, Motorola, Nokia, Samsung e LG que já encaminham as baterias não mais utilizadas para a reciclagem. Cabe a nós utilizar esses serviços. Pois não adianta as empresas oferecerem esse esquema todo e as pessoas continuarem colecionando aparelhos velhos e inúteis em suas casas.

E que a tecnologia avance também nos setores de reciclagem. Máquinas melhores e mais modernas serão mais eficientes e portanto, mais utilizadas. Todo mundo ganha, inclusive o meio ambiente. Aliás, sou uma pessoa que acredita profundamente na riqueza desperdiçada nos lixos. Se o mercado da reciclagem tivesse a força das grandes empresas nacionais poderíamos extrair menos, destruir menos, aniquilar menos e reaproveitar tudo o que já descartamos no planeta, num ciclo sem fim. Fácil assim!

 Pesquisas e estudos, onde animais foram brutalmente torturados por décadas e mais décadas em nome da ciência e da longevidade da raça humana não precisam mais acontecer. Hojé é possível criar tudo sinteticamente para qualquer finalidade de pesquisa. Simples assim!

Existem milhares de alternativas sustentáveis e muitas delas só puderam acontecer porque possuimos a tecnologia necessária. A tecnologia foi certamente o maior passo dado pela humanidade rumo a evolução, mas quando a gente fala em humanidade é que se encontram os problemas.

 As pessoas preferem empregar a tecnologia em projetos bilionários, mesquinhos, tortos...tantas vezes. O mercado que nos permite assistir televisão aonde que que estejamos nos induz a comprar mais, a viver mais para comprar mais e descartar mais. Numa frenética e estúpida inversão de valores. Comprar para ser, ser para ter... E nesse caos, muitas vezes nos tornamos marionetes do mesmo sistema capitalista de sempre.

 Creio que o importante é ser consciente, não se deslumbrar (tanto) com as futilidades desenvolvidas e oferecidas graças a tecnologia avançada. Temos a faca e o queijo nas mãos. As escolhas são nossas. Podemos viver sim, em paz e harmonia com o meio ambiente, aliados a tecnologia, sem nos tornar reféns dela.

 Se você tem alguma informação sobre práticas utilizadas por empresas no setor de reciclagem, sabe de diferentes tecnologias que auxiliam na qualidade de vida do meio ambiente, não seja tímido(a) comente e reparta seu conhecimento conosco...é sempre bom aprender um pouco mais!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Entendendo o pré-sal

A formação das reservas de petróleo sob a camada de sal teve início com o acúmulo de matéria orgânica no fundo dos lagos de Gondwana, o supercontinente que incluia o que hoje é a América do Sul, a África, a Índia, a Austrália e a Antártida e que existiu há mais de 130 milhões de anos. Essa camada se estende por 800 km entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina e envolve três bacias.

 O petróleo existente nessa área está numa profundidade superior a 7.000 mil metros abaixo da camada de sal. A estimativa do volume encontrado (petróleo e gás) pode chegar a 14 bilhões de barris, segundo informa a Petrobrás, o que dobrará a produção brasileira.

 A extração no pré-sal já vem sendo feita desde 2008 pela Petrobrás numa área denominada Parque das Baleias, ao norte da Bacia de Campos. A estatal deverá investir cerca de US$ 114, 4 bilhões para produzir 1,8 milhões de barris diários de petróleo e gás natural até 2020.

 A maior dificuldade para se extrair petróleo nessas condições é que a camada de sal, sob temperatura e pressão altas se comporta como material plástico, o que torna complicado garantir a estabilidade das rochas, impedindo assim a continuidade da perfuração dos poços. Com novas tecnologias empregadas a perfuração se tornou mais estável, reduzindo também o tempo gasto . O primeiro poço perfurado no pré-sal demorou mais de um ano e custou US$ 240 milhões, os mais recentes demoraram cerca de 60 dias e custaram, em média, US$ 66 milhões.

Governo 

O regime de exploração do petróleo no pré-sal não mais será realizado em regime de concessão, promovido pela Lei 9478/97, onde as empresas que venciam a licitação ficavam donas do petróleo e remuneravam a União com royalties e impostos, mas sim em regime de partilha de produção entre União, empresas ganhadores das licitações e regiões estratégicas.

 Além do novo regime, será criada a Petrosal, estatal responsável pela extração e o Fundo Social que vai gerir e distribuir os recursos. O BNDS liberou a maior verba da história para o projeto.

Petrobrás X Greenpeace

A Petrobrás responde a 10 perguntas sobre o pré sal , mas sinceramente nenhuma das perguntas que eu faria constam nessa lista. O Greenpeace defende que o pré-sal é nosso e a poluição também A Petrobrás chegou a anunciar uma tecnologia capaz de capturar o CO2 gerado a partir da extração, mas o fato é que esta tecnologia está em desenvolvimento e não estará disponível quando se iniciar o processo de extração.

O Greenpeace afirma que se o Brasil estiver usando todas as reservas estimadas do pré-sal estaremos emitindo ao longo dos próximos 40 anos cerca de 1,3 bilhões de toneladas de CO2 por ano, só com refino, abastecimento e queima de petróleo.

Perguntas que ninguém respondeu

Quais os impactos ambientais gerados para os municípios e a vida marinha nos locais de extração?

Quais iniciativas serão implantadas para poupar as espécies marinhas nos locais de extração?

Como serão controladas as emissões de CO2 durante a extração e com o refinamento do petróleo?

Numa época em que o mundo ruma para alternativas mais sustentáveis e busca energias mais limpas, não é um retrocesso investir tanto num projeto de extração de petróleo em nome do desenvolvimento do país?

 Há riscos de vazamantos durante a extração ?

Há algum relatório de órgãos ambientais sobre os impactos ambientais nas regiões de exploração?

O alto custo de extração não vai aumentar demais o valor de mercado do petróleo?

Há o risco das reservas serem unitizadas e mesmo que a extração seja em vários locas distintos a fonte ser uma só?

Por quê os lucros também serão divididos com os munícipios que estão longe dos pontos de extração, sendo que estes não sentirão as consequências nocivas que os municípios onde haverá extração irão vivenciar?

Enviei essas perguntas a vários setores da Petrobrás há mais de dois meses. Ninguém me respondeu!

Conclusão

Existem diversas alternativas para a geração de energia e combustível através de fontes limpas, que também gerariam empregos, lucros, independência e progresso, além de garantir a sustentabilidade. Ainda assim os governos preferem optar pelas mesmas fórmulas ultrapassadas, irresponsáveis e prejudiciais ao meio ambiente para justificar dinheiro, desenvolvimento econômico e progressso.

 Eu não acredito que desenvolvimento, progresso e geração de renda temporária justifiquem tantos bilhões nas mãos de poucos homens, tanta interferência ao meio ambiente, tanta política retrógrada e limitada.

A Petrobrás já deveria estar empenhada em se adaptar ao que há de novo e sustentável e não insistir nesses modelos arcaicos de extração de petróleo. E o governo deveria se deslumbrar menos com verbas liberadas e investir mais em tecnologias ambientais e na reciclagem, por exemplo. Desenvolvimento acelerado, acelera também a degradação do meio ambiente e consequentemente a nossa qualidade de vida. Não somos os donos do mundo. Uma hora a conta vai chegar! Saiba mais
 Entenda o pré-sal Pré-sal:benção ou maldição
O pré-sal e o meio ambiente
Preço é a maior barreira para captura e armazenamento de carbono
Petróleo no pré-sal
Notícia G1

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