"Vivo da floresta, protejo ela de todo o jeito, por isso vivo com a bala na cabeça a qualquer hora, porque vou para cima, eu denuncio. Quando vejo uma árvore em cima do caminhão indo para uma serraria me dá uma dor. É como o cortejo fúnebre levando o ente mais querido que você tem, porque isso é vida para mim que vivo na floresta e para vocês também que vivem nos centros urbanos."
E essas manifestações não vão acontecer apenas em grandes capitais. Essas manifestações também vão acontecer em muitas cidades pequenas. Porque os crimes acontecem em todos os lugares. E felizmente, também, em todos os lugares há protetores unidos salvando animais! Procure a sua cidade e se surpreenda, porque nela há mais pessoas como você quem também se preocupam com os animais!
Se eu párasse para pensar e avaliar como foi esse ano na esfera ambiental...eu concluiria que tudo foi como sempre é...
A ONU decretou que 2011 seria o ano das florestas...e o Brasil comemorou alterando a legislação ambiental, permitindo que os crimes, sempre cometidos, agora passem a ser legais. E para ignorar de uma vez por todas, as diretrizes da organização, Belo Monte, a trancos, barrancos, escândalos e absurdos diversos e variados sai do papel para deixar ainda mais rastros de sangue no país que extinguiu a árvore que o nomeia.
E quando canto nosso hino nacional...questiono até quando poderemos repetir o verso "gigante pela própria natureza" com legítima propriedade.
E eu nem precisaria olhar para cima para ver tanto descaso...por aqui empreiteiras e prefeituras, depois que o sol se põe, tratam de derrubar o que restou de mata atlântica em nome do progresso. A cada dia um novo animal de rua vem habitar minha cidade, abandonado por quem um dia se comprometeu a cuidar e ama-lo.
Conferências, seminários, diretrizes...tanto se fala e pouco se faz. Governo nenhum quer nos libertar. Empresário nenhum quer ser verde na prática. Ninguém vai perder um centavo do próprio bolso para praticar a sustentabilidade.
O ano vai ser novo, mas as práticas continuam sendo velhas...
Não espere pelo governo, não se iluda com especialistas, unidos, discutindo o futuro do planeta.
Me recuso a fazer parte da boiada, diariamente...e só espero que para 2012...mais pessoas estejam ao meu lado.
Como já disse por aqui, 2011 foi um ano muito bom para mim. Simplesmente porque deixei a internet de lado e fui viver mais a vida lá fora. Porque desisti de mudar o mundo e passei a mudar meu entorno. Porque me foquei mais nas chances que tive para praticar o bem, do que nos momentos que me despertaram raiva.
Simplesmente porque a vida tratou de me apresentar pessoas melhores e mais engajadas. Pessoas que não qualificam suas ações, apenas agem para transformar...
Léia, cada protetora da associação de amparo aos animais, Deise, Dona Tatiana, a senhora que cuida dos cachorros de rua, que a seguem incondicionalmente, tamanha gratidão. O dono do mercadinho da esquina e o dono da padaria, que também cuidam dos animais que aparecem em suas portas. A senhora que mora próxima a escola e também tem seu bando resgatado. Minha irmã e meu cunhado, que certamente perderam as contas dos animais que levaram para castrar esse ano. Aos que passam em frente ao doberman abandonado como cão de guarda e não o ignoram.
Lucy e sua cooperativa prestes a sair do papel, que vai gerar emprego e propagar a verdadeira sustentabilidade.
A ong Ecosurfi, que heroicamente, conseguiu o direito de deixar livre as praias de Itanhhaém, dos esgotos imundos que destróem um pouco mais a vida, seja ela qual for.
Ao grupo Anonymous, que praticando os ensinamentos de Robin Hood, retirou dos ricos para distribuir aos pobres...
Vida longa a essas pessoas e todas as demais anônimas trabalhando em prol do bem comum, que ignoram a inércia pública e fazem acontecer pelas próprias mãos.
Que em 2012 mais pessoas entendam que churrasco e carvão são sinônimos de morte, não de festa.
Que mais pragas consigam dizimar platantações trangênicas desenvolvidas pela Monsanto.
Que menos chamas se propaguem em tempos de seca pelo cerrado do Brasil.
Que mais pessoas tenham seu direito a moradia, saúde e educação atendidos.
Que menos animais sejam abandonados e torturados.
Que mais pessoas saiam de seu conforto habitual e tomem partido de alguma situação.
Menos assassinos psicopatas garantindo sua fama pelos telejornais e mais heróis sociais mostrando a cara e o trabalho nos canais de televisão.
Menos miséria social e intelectual e mais vontade de realizar.
Enfim, meus votos continuam os mesmo e minhas perspectivas também.
Que o ano de 2012 possa ser bom para quem faz o bem...
Apesar de manter (e amar) este blog, não são poucas, às vezes, em que me considero medíocre e fraca com as palavras. Por sorte, poetas e escritores incríveis traduzem melhor o que penso, sinto e acredito. Hoje o texto é de Rubem Alves, publicado na revista Bons Fluídos, em dezembro de 2008, que traduz lindamente minha opinião sobre o Natal.
Reflitam...
Natal
Rubem Alves
“(…) Natal me deixa triste. Porque, por mais que o procure, não o encontro. Natal é uma celebração. As celebrações acontecem para trazer do esquecimento uma coisa querida que aconteceu no passado. A celebração deve ser semelhante à coisa celebrada. Não posso celebrar a vida de Gandhi com um churrasco. Ele era vegetariano, amava os animais. Uma celebração de Gandhi teria de ser feita com verduras, água, leite e um falar baixo. Mais a leitura de alguns textos que ele deixou escritos. Assim Gandhi se tornaria um dos hóspedes da celebração. Agora, um visitante de outro planeta que nada soubesse das nossas tradições, se ele comparecesse às festas de Natal, sem que nenhuma explicação lhe fosse dada, ele concluiria que o objeto da celebração deveria ser um glutão, amante das carnes, bebidas, do estômago cheio, das conversas em voz alta, do desperdício. Nossas celebrações de Natal são como as cascas de cigarra agarradas às árvores. Cascas vazias, das quais a vida se foi. Se perguntar às crianças o que é que está sendo celebrado, eles não saberão o que dizer. Dirão que o Natal é dia do Papai Noel, um velho barrigudo de barbas brancas amante do desperdício, que enche os ricos de presentes e deixa os pobres sem nada. (…) Pois é certo que as celebrações do Natal são orgias de ricos, celebrações do desperdício e lixo. Celebrações do lixo? Aquelas pilhas de papel de presente colorido em que vieram embrulhados os presentes, não são elas essenciais às celebrações? Rasgados, amassados, embolados num canto. Irão para o lixo. Quantas árvores tiveram de ser cortadas para que aqueles papéis fossem feitos. Para quê? Para nada. A indiferença com que tratamos o papel de presentes é uma manifestação da indiferança com que tratamos a nossa Terra.
Estou convidando meus amigos para uma celebração de Natal. Ela deverá imitar a ceia que José e Maria tiveram naquela noite: velas acesas, um pedaço de pão velho, vinho, um pedaço de queijo, algumas frutas secas. À volta de um prato de sopa de fubá – comida de pobre –, tentaremos reconstruir na imaginação aquela cena mansa na estrebaria, um nenezinho deitado numa manjedoura, uma estrela estranha nos céus, os campos iluminados pelos vaga-lumes. E ouviremos as velhas canções de Natal, e leremos poemas, e rezaremos em silêncio. Rezaremos pela nossa Terra, que está sendo destruída pelo mesmo espírito que preside nossas orgias natalinas. (…)”
Que este natal, nos sirva para refletir. Perpetuar as propagações do bem, tão bonitas na teoria, mas que poucas vezes são aplicadas na prática. Enquanto não almejamos e lutamos para nos tornarmos melhores, nenhuma celebração ou palavras lançadas ao vento terão alguma utilidade.
Celebremos a vida de Jesus, que jamais pregou alguma religião ou doutrina, apenas praticou o bem em plenitude. E acredito, que é para isso que estamos aqui...
Começamos a mudar, simplesmente...quando começamos!
A semana passada foi repleta de notícias deprimentes. Aprovação do novo e retrógrado código florestal pelo senado, frases descabidas de personagens grotescos como Kátia Abreu que disse que com essa aprovação o Brasil finalmente se livra do domínio de ongs estrangeiras. Devemos agradecer esta libertação e comemorar as algemas perpétuas que agora nos ligam indefinidamente a outras multinacionais estrangeiras, muito mais sanguinárias e devastadoras do que qualquer ong, como Monsanto, Bayer, Coca-Cola e demais representantes deste capitalismo escroto.
Imagem do blog Língua Ferina
Apesar de tantos esforços contra a enganada cosntrução de Belo Monte, o governo caminha cego, fazendo das tripas coração para tapar buracos e esconder o lixo debaixo do tapete para concluir este absurdo contra a humanindade. Porque Belo Monte é o emblema, ficou popular, mas por trás dela estão mais outras dezenas de obras tão absurdas quanto, encabeçadas pelo o que o governo chama de PAC.
Campanha: Belo Monte com meu dinheiro não!
E por mais que me anime, ver tanta gente empenhada, mostrando que estamos contra. No final a última palavra é deles, que mandam, que foram eleitos, por cada criatura oprimida, que paga altos impostos e não vê absolutamente nenhum retorno.
Eles fazem e acontecem com o nosso dinheiro público. E nós nos manifestamos...mas o silêncio continua falando mais alto.
Psicopatas, megalomaníacos e uma corja de laranjas e puxa-sacos de norte a sul do país determinam como será o meu e o seu futuro nessa terra de ninguém.
Eu, sinceramente, cansei de dar murro em ponta de faca. Eles vão continuar no poder e eu vou continuar às margens do sistema.
E enquanto o Brasil parece rumar para o fim, com tantas escolhas e atitudes erradas, que vão devastar a vida dos mais pobres, para que os mais ricos continuem levando vantagem...eu daqui só posso mudar meu entorno, humilde e vagarosamente.
Boicotar multinacionais escrotas e rir de seus comerciais medíocres e mentirosos.
Não compactuar com escolhas tortas e continuar falando como e porquê penso, para quem estiver interessado.
Mobilização em Fortaleza
Porque se quando olho para cima, não vejo esperança, mas sim, apenas massacre. Quando olho para os lados, vejo pessoas, iguais a mim. E muitas delas estão realmente mudando seu mundo, apesar do sistema, apesar do governo. Apesar dos marginais de gravata.
Apesar de muitos terem lamentado o ano de 2011, para mim ele foi de renovação e esperança. Claro que abolindo qualquer notícia ligada a política nacional. Mas ao meu redor, conheci seres-humanos decentes, empenhados, libertários, conscientes.
Para encerrar meu ano, longe da podridão legislativa, judiciária e executiva deste país, estou com um novo projeto pré-aprovado e evidentemente ligado a educação ambiental aliada a libertação social.
Enquanto eu tiver a chance indescritível de conviver, aprender e ensinar crianças, estas saberão que se dependerem do governo, vão simplesmente sentar e esperar...mas se arregaçarem as mangas podem ser e fazer o que bem quiserem neste mundo.
O blog não vai se tornar alienado, depois desta postagem. Cada movimento ou manifestação terá sempre espaço por aqui.
Mas perderei menos do meu precioso tempo, com quem apesar de estar longe só serve para foder a minha vida...e vou me dedicar muito mais as pessoas que estão a minha volta fazendo a diferença.
Porque, sinceramente, imagino que esse bando de gente que se veste bem e se dá melhor ainda, desviando dinheiro para satisfazer fúteis prazeres pessoais, deve ter dó de todos nós, que não temos carro zero, nem viajamos de primeira classe...E para todos vocês digo: a recíproca É MUITO verdadeira...
Olho para vocês...que durante uma vida inteira só conseguiram pensar e acumular dinheiro e também tenho dó. Os pobres da história são vocês!!!
Brasil: o páis, que cuja árvore o nomeia, está em extinção!
Só por isso, dá para entender bem, nas mãos de quem entregamos nossas vidas!