"Vivo da floresta, protejo ela de todo o jeito, por isso vivo com a bala na cabeça a qualquer hora, porque vou para cima, eu denuncio. Quando vejo uma árvore em cima do caminhão indo para uma serraria me dá uma dor. É como o cortejo fúnebre levando o ente mais querido que você tem, porque isso é vida para mim que vivo na floresta e para vocês também que vivem nos centros urbanos."

Zé Claudio, assassinado em maio de 2011.



domingo, 3 de janeiro de 2010

Praia Grande e o lixo

A Praia Grande, cidade litorânea muito conhecida do estado de São Paulo, é a mais próxima da maior metrópole da América Latina. Tornando-se assim um ponto turístico de fácil acesso e bem mais barato que as demais praias do estado. Sua orla conta com 26 km ininterruptos, repleta de quisoques, carrinhos de praia e vendedores de todos os tipos e para todos os gostos.

Durante a temporada redes de supermercados ficam abertas 24 horas por dia e comerciantes locais mudam seu ritmo de trabalho freneticamente para servir mais. O policiamento aumenta e vêm para cá policiais militares e civis de outras cidades, além das viaturas da Rota.
A Praia Grande abre seus braços para turistas do Brasil inteiro. Ningém vai te julgar porque você obriga o resto do bairro, onde está hospedado, a ouvir com você as músicas que coloca em seu carro no mais alto volume, nem vai questionar os vários passeios sem propósito que você vai fazer para contribuir com o congestionamento. Ninguém vai te incomodar quando a praia estiver absolutamente abarrotada e ainda assim você decidir jogar futebol. Aqui vocês são os turistas e cabe a cidade os receber muito bem!

Não posso deixar de comentar que apesar das tentativas de policiamento, que tantas vezes enquadram trabalhadores e deixam livres os assaltantes, o maior contra de sua estadia na nossa cidade deve-se ao fato da ação dos marginais. Mas acredito que isso não seja uma particularidade local, gente querendo usurpar o que é do outro existe aos montes em qualquer lugar, sejam os trombadinhas caiçaras ou os engravatados de Brasília.

 A cidade muda sua cara e seu ritmo de vida para receber melhor os, aproximadamente, 1 milhão e meio de pessoas que visitam a cidade no final do ano.

 E o que recebemos em troca? Toneladas e mais toneladas de lixo espalhados pela orla e vias públicas, um amontoado de embalagens diversas, vidros estilhaçados, bitucas de cigarros, oferendas para Iemanjá e mais, mais...mais. Eu, como não sou a dona do mundo, não posso impedir ninguém de se locomover para cá quando bem quiser, mas já que virá, que pretende se divertir, pense um pouco nos outros, no mundo.

Depois de comer guarde o resto do franguinho e da farofa. Tente não incomodar o próximo, não abandone aqui animais que você assumiu, preserve a praia, as praias, toda a natureza. Civilidade e consciência são necessárias a qualquer ser-humano. Se não as tem:adquira!

Abaixo segue um vídeo que eu mesma fiz, simples e extremamente amador, relatando uma parcela mínima do que acontece com a cidade durante a temporada.
 
Observação: Pessoas são pessoas nascendo em qualquer região. Não quis com esse texto atacar apenas os turistas, posto que para mim os próprios moradores que não cuidam e degradam sua própria praia e cidade são muito piores que farofeiros de ocasião. E como meu alvo são sempre os engravatados do poder clique aqui e saiba o que a prefeitura tem feito com o lixo e o entulho na cidade.

4 comentários:

Franz Josef Hildinger disse...

Parabéns Mariana. O vídeo ficou muito bom. Você captou muito bem os problemas do dia-a-dia de nossa cidade.

Mariana MT disse...

Muito obrigada, Franz Josef, você como morador da cidade, sabe muito bem do que eu estou falando, não é?

Sérgio disse...

Vou dizer o que penso de Praia grande viver esse "caos".
Na verdade, só existe uma classe de culpados por tudo isso. São os construtores, alguns estão dentro do Poder Público dando guarita aos demais.
Praia Grande mal tem estrutura para os 250 mil habitantes.
Mas não há cidade que tenha tantos prédios sendo construídos como aqui.
É insustentável tanta gente assim aqui.
Mas o que fazer? A solução é simples: elaborar uma lei proibindo a construção de prédios aqui.
Mas pede para algum vereador fazer isso, pede pro prefeito aprovar.
Não temos estrutura e isso é fato público e notório.
Porque de 2 milhões de turista, 1,5 milhões vem para a Praia Grande?
Porque em outra cidade eles não vão encontrar tantos apartamentos e casas disponíveis para morar.
Veja Peruíbe, que maravilha.
Sem prédios, sem tantos turistas, com seus problemas, como todas as cidades, mas com natureza de certa forma preservada.
Aqui, só temos o lado da pista para lá, e isso depois da curva do S.
Mas até isso o Adriano de Praia Grande (Imperador) está querendo acabar, pois já comprou grande parte de lá e quer construir FEBENs, aeroportos, loteamentos e tudo o mais que o faça mais rico ainda.
Para que uma pessoa quer tanto dinheiro? O dinheiro que ele tem já dá para 50 gerações dele ficarem sem fazer nada.
Mas como parar de enriquecer, né?
Para quem não sabe, ainda, até aquela área de frente ao cemitério é dele, e logo, logo será construído um cemitério vertical ali.
Bom, mas do jeito que tem gente morrendo aqui, até que um cemitério será bem-vindo, mesmo que isso faça o Imperador mais rico ainda.

Mariana MT disse...

Concordo em gênero, número e grau. É insano o que as construtoras donas da cidade e do poder público estão a fazer há décadas com o consentimento de órgãos ambientais, com a animação de turistas eufóricos, com as gargalhadas dos comerciantes da panela. Saio de casa e vejo um arranha-céu novo quase que por semana, penso no pré-sal e temo ao que com ele virá. O futuro me intimida, devo admitir.
Excelente comentário!

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