"Vivo da floresta, protejo ela de todo o jeito, por isso vivo com a bala na cabeça a qualquer hora, porque vou para cima, eu denuncio. Quando vejo uma árvore em cima do caminhão indo para uma serraria me dá uma dor. É como o cortejo fúnebre levando o ente mais querido que você tem, porque isso é vida para mim que vivo na floresta e para vocês também que vivem nos centros urbanos."

Zé Claudio, assassinado em maio de 2011.



sexta-feira, 11 de maio de 2012

...e nos anos 60

Meu avô foi mestre de obras, durante toda a sua vida. Ajudou a erguer muita casa na cidade de São Paulo, a maior metrópole do Brasil. Durante toda a sua vida, o vi reaproveitando materiais e jamais desperdiçando um grão sequer. Vida simples, vivida em paz.

Nos anos 60, quando a Praia Grande, já havia sido devastada e loteada, adquiriu um terreno. E diferente da maioria, ousou na construção.

Essa é a imagem da casa dele.


Já havia mencionado essa casa, em outra postagem. Meu avô, comprou uma caixa - de madeira - onde eram transportados os fuscas importados naquela época e a transformou em lar. Janelas e portas também reaproveitadas...e a cerquinha indicava, que naquele tempo, podia se viver em paz...

A habitação ecológica durou mais de 10 anos...meu avô se mudou de lá e provavelmente, hoje em dia, nesse endereço, há um prédio de pelo menos 20 andares...

Agradeço a genética, vô!!! Adorei ter herdado a veia sustentável da família e espero que de onde estiver continue sua jornada digna e porque não dizer, ecológica também!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Outra Carta...

Depois de assinado um tratado de paz entre os EUA e os índios de seis nações diferentes, seguindo os protocolos da educação ocidental, os representantes dos EUA enviaram uma carta aos povos indígenas oferecendo-lhes a educação dos brancos. Abaixo um trecho da resposta indígena à oferta norte americana:



"...Nós estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o bem para nós e agradecemos de todo o coração.

Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepção diferente das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa.

...Muitos dos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas quando eles voltaram para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis. Não serviam como guerreiros, como caçadores ou como conselheiros.

Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão, oferecemos aos nobres senhores de Virgínia que enviem alguns dos seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos, deles, homens."


Se estes índios, ainda estivessem vivos, poderiam comprovar que as escolas ocidentais, ainda não conseguem, de fato, formar homens de verdade! - salvo raras exceções.

domingo, 6 de maio de 2012

Quando chove...

A maioria das pessoas que conheço diz que adora dormir com a chuva caindo lá fora...Eu detesto!

Não consigo não pensar nos animais de rua. Quantos sem abrigo nenhum?

Eu não deveria desacreditar da capacidade que eles tem de autopreservação. Animais sabem se adaptar muito melhor que os seres-humanos. Mas minha compaixão pelos seres, ditos irracionais, faz com que eu os enxergue mais frágeis do que são.

...e por esse motivo, quando a chuva cai, o frio aumenta e o vento insiste em soprar...meus pensamentos vão ao encontro de cada animal abandonado que não pude ajudar, nem resgatar, nem acolher.

Que essa noite chuvosa e fria logo termine...e que amanhã, o sol possa esquentar o corpo e a alma de cada animal, que não tem um ser-humano com quem contar!!!



terça-feira, 1 de maio de 2012

A saga da Juréia

A Estação Ecológica Juréia Itatins foi criada em 1987, abrange uma área que inclui os municípios de Peruíbe, Itariri, Miracatu e Iguape e resguarda remanescentes de mata atlântica, manguezal, restinga, praia e costão rochoso.
 
 
Praia do Caramborê, pertence a área de reserva e divide a praia da Desertinha da Barra do Una.
( uma pequena amostra do paraíso)
A questão é que muitos anos antes de ganhar o status de Estação Ecológica, toda a área de mais de 79 mil ha já era preservada e ocupada por populações locais que não interferiram no ecossistema, nem alteraram drasticamente esse meio. Há pessoas com mais de 80 anos que nasceram e residem até hoje por lá.
 
 
São mais de 300 famílias e 12 comunidades adaptadas aquele ambiente, que não pretendem, nem nunca pretenderam evadir do local. Entendem que possuem o direito de viver lá. Direito este, que eu também considero legítimo.
 
 
Acontece que o Governo de São Paulo, através da Fundação Florestal (orgão da Secretaria do Meio Ambiente) pretende realocar essas famílias, para implantar um projeto que pretende reestabelecer a Estação Ecológica.
 
 
Você pode estar achando estranho eu não concordar com uma iniciativa que prevê a conservação de uma estação ecológica. Mas nesse caso, estou contra o realocamento dessas pessoas, por vários motivos.
 
 
É engraçado como nesse país,  homens que destruíram áreas imensas de diferentes biomas, para criar gado, plantar soja ou cultivar qualquer outro alimento em sistema de monocultura, que ganharam milhões exportando seus produtos e em nenhum momento pensaram na sustentabilidade do planeta, ainda conseguem o privilégio de não pagar pelos seus crimes, através de uma anistia que perdoa criminosos ambientais, e mais que isso, o direito de desmatar ainda mais. Enquanto populações que vivem há décadas, sem causar impactos, sem dizimar espécies sejam obrigadas a sair de suas casas e de sua terra.

Eike Batista, enquanto maior bilionário do Brasil, comprou milhões de metros quadrados e não desistiu da construção de um porto em Peruíbe. Alheio aos impactos ambientais e completamente indiferente aos direitos dos índios e das populações locais. O petróleo fala mais alto que qualquer brasileiro.

No Rio de Janeiro, Sérgio Cabral chegou a alterar a legislação ambiental, para beneficiar Luciano Huck, que burlando as leis construiu um mansão em plena reserva em Angra dos Reis. Isso pode.


Essas famílias não querem esses privilégios, garantidos apenas às elites criminosas. Essas famílias querem o que lhes é de direito. A manutenção e preservação de sua cultura e estilo de vida. O direito de permanecerem onde nasceram. O direito de viverem integrados a natureza. Fazendo parte do ecossistema. Resguardando sua floresta.

Elas querem o direito de continuar em suas casas! E não a obrigação de abandonar os seus lares para morar em conjuntos habitacionais, construídos e superfaturados pelo governo, que em época de eleição há de exibir esses dados, para convencer a massa de que está trabalhando para o bem do povo.

Essas famílias tem o direito de dizer NÃO à vida urbana. Dizer não aos bairros periféricos para aonde querem realocá-las. Dizer não aos subempregos. Dizer não à violência e a hipocrisia! Dizer não a integrar as estatísticas que indicam a insatisfação de quem mora nas cidades.

Se o governo e o orgão ambiental desejam a conservação da reserva, que desenvolvam programas sócio ambientais, que integrem comunidade e floresta. Que gerem empregos sustentáveis, assim como acontece em Ubatuba, com o juçaí (projeto desenvolvido pelo IPEMA, com supervisão do Ministério do Meio Ambiente). Que fiscalizem! Que não permitam desmatamentos, especulação imobiliária e turismo predatório.

Seres-humanos também fazem parte do meio ambiente. Afastar as pessoas da floresta e promover educação ambiental nos meios urbanos não me parece muito lógico. Despejar nativos e permitir a permanência apenas de técnicos e cientistas, não é muito democrático também, para não dizer elitista.

E que não transfiram a dívida de 500 anos de retrocesso ambiental a essas famílias. É injusto que os moradores da Juréia,  paguem, sozinhos, o preço pelo descaso secular que o homem teve com a natureza! Não foram eles que dizimaram a mata atlântica. Eles também desejam continuar vendo a floresta em pé. E eles merecem esse direito!

Até porque se a reserva chegou intacta até os anos 80, não foi pela ação dos políticos, especialistas, especuladores imobiliários, construtores ou qualquer outra pessoa graduada que vive do lado cinza dessa história.


Mais informações:





domingo, 8 de abril de 2012

Mais assassinatos...

Esta imagem, assim como o vídeo, circularam no facebook, há algum tempo, ontem lendo o blog da Carol Daemon, pela primeira vez li a melhor tradução desta mais nova técnica, nas palavras de Alberto Machado e por esse motivo tomei a liberdade de também postar por aqui. 




Esta foto foi tirada em Santa Catarina, representa mais uma novíssima invenção do sistema de exploração animal.

Em 15 minutos, usando apenas espuma (aquela usada pra lavar carros), 15.000 aves são mortas por asfixia. Engenheiros, agrônomos e empresários assistem animados o sucesso da mais nova técnica.

Isso não é normal! Isso não é saudável! Isso não é natural!

Sem dúvida nenhuma, uma das faces mais perversas e doentias do sistema capitalista moderno é a (moderna) pecuária.

Não somos mais uma espécie de caçadores. Não somos índios que entram na mata, caçam um macaco (livre) e depois comem sua carne: isso é um comportamento natural. Matar 15.000 aves em 15 minutos é um comportamento doentio.

Tentar alimentar 7 bilhões de animais humanos com a morte anual de 70 bilhões de animais não-humanos (apenas considerando os animais terrestres) é um comportamento estúpido, doentio e insustentável.

É uma das mais graves evidências da nossa atual crise.

Estamos numa profunda crise! Vivemos (sem nem sempre perceber completamente) num contínuo estado de violência, guerra e destruição.

Quem mata 15.000 vezes em 15 minutos (e considera isso um avanço) jamais conseguirá encontrar paz e felicidade. Se nossa inteligência está nos tornando apenas mais ferozes, mais mortais, mais sanguinolentos; então muita pouca esperança podemos ter (infelizmente).

Vegetarianismo não é a solução para todos os nossos problemas. É apenas uma opção (bem fácil por sinal) de tentar tomar um outro rumo. Outra forma de se relacionar com este planeta, com os outros animais que também habitam este planeta e com nosso próprio corpo.

É você dizer: eu não quero ser uma espécie que mata 15.000 vezes em 15 minutos. Eu quero fazer bem 15.000 vezes em 15 minutos. Eu quero fazer bem para 15.000 pessoas, bichos e plantas em 15 minutos – e não destruí-los.

Progredir é se tornar mais feliz e aumentar o grau de felicidade no mundo.

Criar bombas, máquinas de guerra e máquinas de extermínio em massa é regresso, é infelicidade, é estupidez.

Observe com mais clareza e sinceridade seus próprios comportamentos.

Você pede paz, justiça, honestidade. Clama por igualdade, pelo fim da violência e da exploração, mas será mesmo que você está agindo assim?

Matar, escravizar, testar medicamentos, torturar e explorar de todas as formas possíveis os outros, apenas porque eles não são iguais a você? Apenas porque eles são mais fracos do que você?

Isso é massacre. Isso é guerra. Isso é apenas infelicidade se multiplicando 15.000 vezes a cada 15 minutos. E isso precisa ter fim.

Autoria do texto: Alberto Machado, permacultor



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