"Vivo da floresta, protejo ela de todo o jeito, por isso vivo com a bala na cabeça a qualquer hora, porque vou para cima, eu denuncio. Quando vejo uma árvore em cima do caminhão indo para uma serraria me dá uma dor. É como o cortejo fúnebre levando o ente mais querido que você tem, porque isso é vida para mim que vivo na floresta e para vocês também que vivem nos centros urbanos."

Zé Claudio, assassinado em maio de 2011.



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Horário de Verão - a DEMOCRATIZAÇÃO do PÔR-DO-SOL

Certo dia twittei a seguinte frase: Eu adoro o horário de verão...! Acho q ele significa a democratização do pôr-do-sol. Mesmo que vc saia as 20h do trampo, vai poder assistir! Assim, do nada, sem grandes propósitos.

Mas vou admitir que gostei da minha frase, outras pessoas também elogiaram e comecei a pensar mais sobre o assunto até que ele veio párar aqui: nessa postagem.

Parece uma mentira, uma alucinação, mas nem o pôr-do-sol, gratuíto e pontual, pertence de fato a todos nós.


Os workholics, as mães que dobram suas jornadas de trabalho para garantir ao filho uma vida melhor, os homens de terno, enclausurados nos edifícios com janelas que não abrem, os apressados, os atrasados, os que tem que buscar os filhos na escola, os que fazem horas extras, os mineradores e extrativistas, a massa operária, os aprisionados nos escritórios, nas salas de aula, nos hospitais, nos conventos, nos batalhões, os trabalhadores do metrô,  todas essas pessoas e alguns mais, tiveram seu direito ao pôr-do-sol cassado.

Porque antes de ser feliz há que se sobreviver, dignamente ou beirando a miséria, mas em qualquer um dos casos a conta chega na forma de subtrações naturais: o caminhar calmamente, o observar claramente, os dias de preguiça, as noites quentes de lua cheia...e o nosso pôr-do-sol.

Esse direito nos foi tirado a partir do momento em que criamos a sociedade e nos impusemos a viver em nome dela e para ela, anulando assim , qualquer fração de segundo que não gere dinheiro...incluindo observar o pôr-do-sol.

Esse direito também nos foi tirado quando nos aglomeramos em metrópoles imundas que através de arranha-céus nos escondem o entardecer...E quando se olha no relógio, com tantas preocupações a correr pela mente, já é noite e ninguém lembra mais como seria  ver o sol se pondo por de trás dos grandes morros.

Felizmente alguém inventou o horário de verão, para fins que visam mais uma vez o dinheiro e a econômia para você e para o governo, mas ainda assim o horário de verão também trouxe a DEMOCRATIZAÇÃO DO PÔR-DO-SOL.

Por mais que você tenha estado preso, tantas vezes num lugar aonde não gostaria de estar, assim que conseguir se libertar, lá fora o sol vai te esperar, por pelo menos mais duas horinhas, e então vai se  pôr com a mesma  tranquilidade de sempre que só a natureza consegue  ter e que nós já não sabemos mais aonde encontrar.

5 comentários:

Chrysocyon brachyurus disse...

Não abdico o meu direito de ver o por do sol!
Às vezes sento em alguma cadeira de buteco, peço uma cerveja e fico olhando para o céu vendo o Sol se por entre os mini arranha-céus de minha cidade...(existe um buteco perfeito para isso que fica de frente para oeste)

Mariana M. Thomé disse...

No mundo do concreto: sinta-se previlegiado!!!Infelizmente poucos tem essa chance e essa visão!

Anônimo disse...

Adorei, quem pensa e fala assim da natureza é uma pessoa muito doce de coração...parabéns
LuisFerreira

A sabedoria da natureza é tal que não produz nada de supérfluo ou inútil
Autor: Copérnico , Nicolau

ConsciênciaComCiência disse...

Realmente, diante da correria louca da vida moderna e da luta para ganhar o pão de cada dia deixamos de aproveitar momentos lindos que nos são gratuitos e fazem muito bem!!!
Que bom que vc conseguiu instalar o retweet, vou retwittar o seu post agora hahah!!!

Mariana M. Thomé disse...

Obrigada pelos comentário e retweets. Sejam sempre bem-vindos!

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