"Vivo da floresta, protejo ela de todo o jeito, por isso vivo com a bala na cabeça a qualquer hora, porque vou para cima, eu denuncio. Quando vejo uma árvore em cima do caminhão indo para uma serraria me dá uma dor. É como o cortejo fúnebre levando o ente mais querido que você tem, porque isso é vida para mim que vivo na floresta e para vocês também que vivem nos centros urbanos."

Zé Claudio, assassinado em maio de 2011.



terça-feira, 1 de junho de 2010

Resposta a Aldo Rebelo - por Renato Ribeiro

Com a permissão do autor, também vou publicar aqui a resposta do  Renato Ribeiro, ao mesmo e-mail enviado por Aldo Rebelo aos que se manifestaram contra as alterações do Código Florestal. A resposta dele além de sensata e muito bem elaborada, questiona a intenção da bancada ruralista e indica soluções e saídas. Certamente vale a leitura. Para seguir o Renato no twitter: @renatocenografo

Aldo Rebelo,

Já fui simpatizante do PT, PCdoB e dos partidos de esquerda de maneira geral, sempre votei no Lula, porém tenho me afastado a medida que este governo se assemelha ao PSDB e se torna mais cego diante das questões ambientais.

Não sei quais ONGs vcs escutaram, acredito que há alguns discursos bons em prol do meio ambiente, porém vocês precisam se conscientizar que as mega mono culturas não são a melhor forma de se produzir alimentos e gerar empregos, até porque elas causam um irreparável dano ambiental e apenas enriquecem os grandes, o que é um contra-senso se falarmos em governos de “esquerda”.

O país já cometeu milhares de crimes ambientais e eles não podem ser endossados pelo governo. Peço mais cuidado na reforma do código florestal e vou continuar defendendo esta causa.

Há tecnologia e conhecimento suficiente para se produzir de forma mais inteligente e menos agressiva ao meio ambiente.

A solução não é facilitar a exploração da terra de maneira predatória, vamos investir em agricultura ecológica e facilitar e estimular a vida dos pequenos agricultores, com tecnologia limpa e barata. Reforma agrária de verdade para gente séria. Você sabe como está corrompido o MST.

Vocês já perderam a Marina Silva, que é tida como uma das pessoas mais importantes no planeta em defesa do meio ambiente, estão exercitando ignorância perante assunto tão sério.

Em teu e-mail, você desqualifica o Greenpeace, que sinceramente não acredito ser um mar de idoneidade, porém a Veja, como você também sabe, está longe de ser um veículo isento e ético.

Este governo está sendo hipócrita quando fala de meio ambiente, simplista quando fala em justiça social, pobre quando ao invés de criar meios de inclusão social mais inteligentes se limitando ao bolsa família.

Reconheço algumas melhoras já realizadas, mas lamento a concessão a políticos corruptos, aos interesses dos latifundiários e das mega empresas.

A idéia da usina de Belo Monte é uma vergonha, o que vcs querem construir lá em produção de energia, os alemães conseguem nos telhados das casas sem derrubar nada, apenas utilizando energia solar, que temos muito mais. Parem de beneficiar as empreiteiras!

Lamento muito o rumo que a esquerda brasileira toma neste momento e chamo a atenção para orientações mais inteligentes, dê ouvidos aos partidários da Marina Silva; siga no Twitter @MontanhaViva, @forumdaterra, @saberglobal, @eco4planet, @redeecoblogs; a rede Envolverde; procure o instituto Paulo Freire; a Agência Mandalla; fale com o jornalista André Trigueiro; até o Globo ecologia tem informações melhores que as tuas fontes, informe-se descentemente com relação à questão ambiental, conscientize-se e não utilize a hipocrisia como bandeira.


Não nos decepcione mais.


Renato Ribeiro


Meus parabéns, Renato!

7 comentários:

Aninha disse...

Simplesmente PERFEITO. As colocações são certeiras, diretas, limpas.
Não há o que se dizer.
Parabéns ao autor, e a vc Mari pela divulgação!

Minaaa disse...

Concordo...
Sem apelações e com clareza, é simples e esclarecedor!
Precisamos de mais pessoas assim, como o autor, e como a blogueira, pela coragem e atutide em divulgar e disseminar INFORMAÇÃO.
Nada mais democrático...

Mariana M. Thomé disse...

Aninha: concordo absolutamente! Quase um dever publicar por aqui tb!

Minaa - Agradeço o elogio e sublinho suas palavras. O autor merece! Grata por seguir o blog tb!

v.nardi disse...

Reportagens sobre Serviços ambientais – exibidas no GLOBO RURAL em 12out2008
Um exemplo de racionalidade, bom senso, negociações específicas para cada área, pagamento justo pelos serviços ambientais, etc, etc.
Mostra quem são os “ruralistas”, pequenos agricultores com pequenas propriedades.
Patrocinadas pela Prefeitura de Extrema-MG, Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais, Agência Nacional das Águas e da ONG The Nature Conservancy (TNC).
Mostram como fazer quando se quer PRESERVAR DE VERDADE.
não de mentirinha como alguns que se dizem ambientalistas.
“...a área preservada vale muito mais do que a área de pastagem”...
“...A produção de água deve ser considerada tão ou mais importante do que a produção de leite, café e grãos. Essa é a lógica do projeto. Eu não posso enxergar um uso mais nobre ou um trabalho mais nobre do que esse”...

Vale a penas ver vídeos no You Tube:
Serviços Ambientais em Extrema – Parte 01/04
http://www.youtube.com/watch?v=cX7t9erR1OM&feature=related

Serviços Ambientais em Extrema – Parte 02/04
http://www.youtube.com/watch?v=UacCg7yUGhU&feature=related

Serviços Ambientais em Extrema - Parte 03/04
http://www.youtube.com/watch?v=Ip3bxp1BGy0&feature=related

Serviços Ambientais em Extrema - Parte 04/04
http://www.youtube.com/watch?v=vvW1MrOrrrI&feature=related

v.nardi disse...

Quem causa Devastação?

É o consumidor. Ninguém produz se não houver quem compre.

PRESERVAR é essencial. Por que não funcionam as LAs (Leis Ambientais)?

Por que são INJUSTAS:

1) impõe o ônus de Preservar só sobre o possuidor de Área a ser Preservada que é praticamente confiscada, embora todos se beneficiem;

2) não diferenciam entre área rural e urbana, mas não são cumpridas nas propriedades urbanas centrais privilegiadas, com a conivência de todos; são aplicadas só nas áreas rurais e urbanas periféricas, punindo principalmente os pobres que menos consomem;

3) subsidiam os médios e ricos urbanos que não preservam, não respeitam RLs, nem APPs e não pagam o custo ambiental do muito que consomem, da muita devastação que causam;

4) impõe restrições insustentáveis, arbitrárias, irracionais e ineficazes;

Por isto as LAs não são culturalmente aceitas pela Sociedade Local que é quem vai ou não Preservar.

Ambientalistas são idealistas, não aceitam Injustiças e pregam a SUSTENTABILIDADE, logo não podem ser coniventes, menos ainda defender LAs que sabem ser INSUSTENTÁVEIS e SOCIALMENTE INJUSTAS, Legais, mas Imorais.

Em vez de atacar as consequências com a fiscalização tentando impor injustiças, temos que atacar as causas:

1) todo produto têm Custo Ambiental que requer Serviços Ambientais que o compensem; tomarmos consciência que nós causamos devastação na proporção do próprio consumo, reduzi-lo, ser responsável, só consumir produtos certificados, reciclar e controlar a natalidade;

2) é justo que consumidores paguem o Custo Ambiental (CA) do que consomem; os recursos vão para um Fundo Ambiental (FA); é custo, não é imposto; reduz a Devastação;

3) com os recursos do FA, é justo que Preservadores recebam valor igual ao que ganhariam usando a área livremente, coerente com a importância dos Serviços Ambientais (SAs) prestados para todos nós; aumenta a Preservação, pois todos desejarão Preservar de verdade;

4) quem não quer pagar valor justo pelos CAs/SAs passa a mensagem que não se deve pagar pela Devastação e que a Preservação não vale nada;

5) LEIS AMBIENTAIS tem obrigação de ser SUSTENTÁVEIS, fundamentadas, racionais e eficazes;

Enfim, temos que buscar a PRESERVAÇÃO SUSTENTÁVEL que seja ECOLOGICAMENTE CORRETA, mas também SOCIALMENTE JUSTA, ECONOMICAMENTE VIÁVEL e CULTURALMENTE ACEITA.

Mariana M. Thomé disse...

v.nardi - Minha conexão é bastante ruim, mas assim q possível vou visitar os links que vc indicou.

Concordo com vc em vários pontos. Mas não acho que as alterações do código florestal vão ajudar a ajustar essas indiferenças. Muito pelo contrário, vão permitir mais injustiças e degradação para o benefício de alguns poucos homens. Produtos, cuja cadeia é de fato sustentável, sao repassados ao consumidor com um valor mais alto, quem opta por consumir conscientemente já paga esse preço. E sinceramente, não acredito que nenhum fundo, gerido, pelo governo, tenha seu fim devido. Acho que o governo já ajudaria muito incentivando empresas sustentáveis, plantações orgânicas, usinas de reciclagem e todo o mercado que busca uma sintonia com o meio ambente, através de redução de impostos. Quem deveria pagar mais impostos é quem destróe mais o planeta. Simples assim! Concordo com vc, absolutamente, quando diz que o nível do consumo tem que ser diminuído. E isso é responsabilidade de cada um. Eu faço a minha parte, busco trazer discussões e com isso gerar soluções. Cada um tem sua faca e seu queijo na mão e deve fazer o que acha correto com as informações que adquiri. Agradeço muito por ter compartilhado o seu ponto de vista!

v.nardi disse...

Mariana,
Percebo que você se interessa pelo assunto e posso lhe garantir que com estas leis Ambientais que estão aí, não vai funcionar. Nas áreas urbanas periféricas trocamos uma ocupação sustentável e controlada por outra ocupação informal, descontrolada e que leva à devastação total como aconteceu na Guarapiranga e está acontecendo no resto.
Nas áreas rurais pequenas teremos algo parecido e a redução da produção de alimentos que abastecem as cidades.

Não deixe de ver os vídeos
Serviços Ambientais em Extrema – Parte 01/04, parte 2, parte3 e parte4. São fundamentais para se entender o que está contecendo no campo.
Sds, Vinícius

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